A temperatura ideal do chimarrão: por que 70°C faz toda a diferença

Quem cresceu no Rio Grande do Sul sabe que chimarrão não é só uma bebida. É um ritual. Um momento de pausa, de conversa, de conexão e entender a temperatura ideal do chimarrão faz toda a diferença nesse processo. E este é um detalhe que muita gente ignora e que muda tudo na cuia!

Se você já tomou um mate amargo demais, sem graça ou que “lavou” rápido, existe uma boa chance de que o problema não era a erva. Era a temperatura da água.

Para entender a ciência por trás disso, conversamos com Rafael Becker, Sommelier de Erva-Mate, que respondeu as principais dúvidas sobre o tema.

Por que a temperatura da água é tão importante?

A maioria das pessoas presta atenção na erva, na cuia, na bomba. Mas a água é igualmente decisiva. Rafael explica:

“A água é um elemento tão importante quanto a Erva-Mate, cuia, bomba e térmica. A qualidade da água influencia muito no nosso mate, chimarrão ou tereré. A Erva-Mate suporta temperaturas entre 50°C e 100°C, mas sempre ressaltando que bebidas acima de 80°C prejudicam nossa saúde.”

Ou seja, o intervalo de temperatura que a erva tolera é amplo, mas o intervalo que faz bem para o corpo e para o sabor é muito mais preciso.

 

temperatura ideal do chimarrão

 

O que acontece quando a água está quente demais?

Esse é o erro mais comum e o mais silencioso. A pessoa usa água fervendo achando que vai ter um mate mais forte, e o resultado é exatamente o oposto. Nas palavras de Rafael:

“O teu Mate/chimarrão com água muito quente queima a Erva-Mate, o que significa perda de sabor rapidamente. Deixando teu mate/chimarrão sem sabor e aromas, que costumamos chamar de ‘lavado’.”

O mate “lavado” é aquele que perde o sabor nas primeiras cuias e fica insosso rapidamente. Quem já passou por isso sabe como é frustrante. E a solução é mais simples do que parece.

Então existe uma temperatura ideal do chimarrão de verdade?

Sim, e Rafael é direto na resposta:

“Sim, há temperaturas mais adequadas, para termos melhor extração de aromas e sabores. Entre 70°C e 80°C conseguimos a melhor extração de aroma e sabor, não prejudicando nossa saúde.”

Mas para entender por que essa faixa é especial, vale ver o que acontece em cada temperatura. Rafael detalha cada ponto com precisão:

“A 50°C a extração é baixa, quase sem amargor, famoso mate enche barriga. 60°C começa a aparecer o amargor e notas aromáticas mais naturais, ainda causando a sensação de estufamento. 70°C amargor típico do Mate, com bom corpo e aroma. 80°C extração de sabor e amargor mais completo, adstringência começa a ser percebida e corpo mais presente em boca. 90°C muito intenso, saponinas muito presentes (alta espuma), mais amargo, adstringência alta! O mate/chimarrão extrai mais do que deveria, ‘lavando’ rápido. 100°C amargor muito intenso, queima a Erva-Mate, trazendo em boca aquele mate lavado muito rápido.”

Olhando esse mapa de temperaturas, fica claro que 70°C é o ponto onde tudo se equilibra: o amargor está presente, o aroma está completo, o corpo é agradável e a saúde não é comprometida.

E já que estamos falando em saúde, você já se perguntou se tomar chimarrão em jejum faz mal? Confira nosso conteúdo e entenda!

A temperatura ideal do chimarrão muda dependendo da erva?

Essa é uma informação que pouquíssimos chimarreiros conhecem. E faz diferença na prática. Rafael explica:

“Sim, mas sempre ressaltando as questões da nossa saúde, para não termos nenhuma possibilidade de doença futura. Ervas-mate de moagem mais fina toleram temperaturas mais altas podendo chegar a 85° e 90°C. Ervas-mate pura folha funcionam melhor com temperaturas entre 75° e 80°C. Ervas-mate de moagem cancheada, folhas graúdas e palitos, se pode utilizar temperaturas mais baixas, entre 70° e 75°C. Ou seja, a moagem interfere sim na temperatura.”

Se você tem uma erva mais grossa em casa, baixar um pouco a temperatura pode ser exatamente o que faltava para melhorar o sabor.

Quais são os erros mais comuns na hora de preparar o chimarrão?

Além do uso de água quente demais, existe outro erro que Rafael destaca como muito frequente:

“O maior erro é se deter apenas no chiar da chaleira, pois cada material possui uma capacidade diferente de absorver, refletir e emitir calor, o que se traduz em diferentes ‘pontos’ ou taxas de absorção.”

O chiar da chaleira é um hábito cultural forte no sul, mas ele é impreciso. O material da chaleira, a altitude, a potência do fogão e até a temperatura ambiente influenciam o ponto real da água. Confiar só no som pode significar errar a temperatura em 10°C, 15°C, ou mais.

A solução prática que Rafael recomenda é direta:

“Compre uma chaleira elétrica com regulagem de temperatura ou um termômetro, vai facilitar a tua experiência do mate sem prejuízo à saúde.”

Como a cuia também influencia na temperatura?

Aqui entra um ponto que muita gente não considera: a cuia que você usa interfere diretamente na extração. Rafael compartilha um teste simples e revelador:

“Faça um teste em casa: aqueça tua água a 70°C, coloca na tua térmica R-Evolution e ceva teu mate/chimarrão em uma cuia Termolar Tupi e em uma cuia que tu gosta de utilizar. Tu vais te surpreender com a diferença de aromas e sabores. A cuia Tupi vai preservar o calor tal qual a R-Evolution, extraindo igual aromas e sabores. Outras cuias acabam absorvendo parte do calor da água e não extraindo tudo que a Erva-Mate pode nos proporcionar.”

A garrafa térmica entra exatamente aqui. De nada adianta aquecer a água na temperatura certa se ela chega na cuia a uma temperatura completamente diferente. Uma boa térmica mantém os 70°C por horas, garantindo que cada cuia seja tão boa quanto a primeira.

E o tereré? A lógica é a mesma?

Para quem aprecia o tereré, Rafael tem uma dica especial que vai muito além de simplesmente colocar gelo:

“Tereré por ser gelado não tem tanta extração de aroma e sabor. A dica é aquecer a água a 80°C e infusionar essa água com pouco de Erva-Mate na tua térmica Termolar, coar após 10 minutos e diluir em água bem gelada. Assim terá uma extração não só dos sabores, mas também das propriedades medicinais da Erva-Mate no teu tereré.”

Uma técnica simples que transforma completamente o resultado na cuia.

Controlar a temperatura é um ato de respeito ao ritual

No fim das contas, prestar atenção na temperatura da água não é preciosismo. É o tipo de conhecimento que transforma uma experiência cotidiana em algo realmente especial. E Rafael resume com a sabedoria de quem vive o mate de perto:

“Utilizando produtos de qualidade para manter a temperatura ideal por horas, tu vais tornar o teu ritual do mate mais prazeroso. Faz do teu ritual do Mate o teu momento de pausa na vida, pois mate é pausa, é momento, é reflexão, é aquele encontro contigo mesmo. Seja a parte boa da vida das pessoas a tua volta! Bons Mates, Boa vida!”

Esse cuidado começa com gestos simples: um termômetro, uma boa garrafa térmica, atenção à erva que você escolhe. As garrafas térmicas Termolar foram desenvolvidas exatamente para garantir que a água chegue à cuia na temperatura certa, da primeira à última cuia do dia, sem que você precise ficar esquentando de novo ou adivinhando se está no ponto.

Porque quando cada detalhe está no lugar certo, o chimarrão deixa de ser só uma bebida. E vira aquele momento que você espera com vontade.

 

temperatura ideal do chimarrão

 

Quem é Rafael Becker e o que faz um sommelier de erva-mate?

Rafael Becker, gaúcho de Porto Alegre, iniciou seus estudos com erva-mate em 2012, nas Missões Argentinas. Apaixonado pela cultura do mate, aprofundou sua formação no país, onde se tornou sommelier de erva-mate, direcionando sua atuação para a valorização cultural e sensorial da bebida.

Ao longo da sua trajetória, destacou-se por trazer uma abordagem técnica ao universo do chimarrão, sendo o primeiro sommelier a realizar degustações guiadas de erva-mate no Brasil. Como fundador da Milonga Erva-Mate, desenvolve blends autorais e promove experiências que conectam tradição, identidade e inovação.

Também atua como consultor para empresas do setor ervateiro, com foco em desenvolvimento de produtos e posicionamento de mercado. Atualmente, é jurado e embaixador no Brasil do Mundial da Erva-Mate, realizado na Argentina, reforçando sua atuação no cenário internacional.

Como sommelier, suas funções envolvem análise sensorial, criação de blends, harmonização e orientação sobre preparo, elevando a experiência do consumo e contribuindo para posicionar a erva-mate como um produto premium, reforçando seu propósito: bons mates, boa vida. 🧉

 

temperatura ideal do chimarrão

 

Mas afinal, o que é um sommelier de erva-mate? 

De forma simples, é o profissional especializado na análise, preparo e valorização da erva-mate, atuando de maneira semelhante a um sommelier de vinhos. Ele estuda todo o processo do produto, desde o cultivo e a secagem até a moagem e o armazenamento, além de desenvolver uma análise sensorial apurada, avaliando características como aroma, sabor, intensidade e equilíbrio do amargor. Na prática, orienta sobre a escolha da erva ideal, ensina técnicas corretas de preparo, cria blends personalizados e contribui para tornar a experiência do chimarrão mais agradável e consistente.

A atuação de Rafael está diretamente ligada à valorização da cultura do mate, conectando pequenos produtores, marcas premium e consumidores urbanos, e contribuindo para reposicionar a bebida dentro do universo gourmet, ao lado do vinho e do café especial. É com esse olhar técnico e apaixonado que ele fala sobre temperatura da água e o que ela representa para quem quer tomar um mate de verdade.

Você pode acompanhar mais conteúdos sobre erva-mate, preparo e experiências sensoriais no Instagram de Instagram do Rafael Becker: @rafaelbeckersommelierervamate

Por lá, ele compartilha dicas práticas, curiosidades e conteúdos sobre o universo do chimarrão, reforçando na prática o conhecimento técnico que aplica no dia a dia como sommelier de erva-mate.

E por fim, mas não menos importante!

A ferramenta certa faz toda a diferença

Saber a temperatura ideal é o primeiro passo. O segundo é ter os equipamentos certos para mantê-la. E é aqui que a escolha da garrafa térmica deixa de ser um detalhe e passa a ser parte central do ritual. 

As garrafas térmicas Termolar foram desenvolvidas para manter a água na temperatura exata por horas, o que significa que você aquece a água uma vez, regula nos 70°C ou 80°C que o Rafael recomenda, e segue o dia todo com a mesma qualidade de extração desde a primeira até a última cuia. 

Não tem perda de temperatura entre uma rodada e outra, não tem necessidade de reaquecer, não tem aquela frustração de sentir que o mate foi murchando ao longo da tarde. A térmica se torna, na prática, a guardiã do ponto ideal, aquele que você levou tempo para aprender e que merece ser preservado a cada cuia.

Conteúdo produzido com a contribuição de Rafael Becker, Sommelier de Erva-Mate.

Deixe um comentário